Ao meio-dia de um sábado de maio, o teu sistema está a produzir no máximo e a tua casa a consumir o mínimo. Essa energia vai para algum lado — e a pergunta certa é: quanto vale, e como maximizas esse valor?
As quatro coisas que podes fazer ao excedente
- Vender à rede — através do teu comercializador ou de um agregador: recebes por kWh injetado.
- Guardar em bateria — consomes a tua energia à noite em vez de a vender barata e comprar cara (baterias solares).
- Deslocar consumos — programar termoacumulador, máquinas, piscina e carregamento do carro para as horas de sol: o “armazenamento” mais barato que existe.
- Não fazer nada — a energia entra na rede sem remuneração. Legal, mas é deixar dinheiro na mesa.
A generalidade das casas acaba numa combinação: deslocar o que dá, guardar se houver bateria, vender o resto.
Quanto pagam — e porque pagam “pouco”
Em 2026, as ofertas de compra de excedente rondam 0,03 € a 0,07 €/kWh nas modalidades de preço fixo; ofertas indexadas ao mercado grossista seguem os preços spot — que nas horas de forte sol podem ser muito baixos (é o “canibalismo solar”: todos produzem ao mesmo tempo) e noutras horas valem mais.
Parece injusto vender a 5 e comprar a 22? O comprador está a pagar-te o preço grossista da energia nas horas em que ela abunda; os 22 cêntimos que pagas incluem redes, taxas e a garantia de teres energia às 21h de janeiro. A conclusão prática não muda: o excedente vale sempre menos do que a energia que evitas comprar — e é por isso que autoconsumir (deslocando consumos ou com bateria) rende mais do que vender.
Como aderir, passo a passo
- UPAC comunicada à DGEG (o instalador trata — vê o guia UPAC);
- Contador inteligente a medir a injeção (padrão na rede E-Redes);
- Contrato de venda: pede condições ao teu comercializador e compara com agregadores independentes — os valores variam o suficiente para justificar 20 minutos de comparação;
- Recebes por kWh injetado, em crédito na fatura ou pagamento, conforme a oferta.
A conta que deves fazer antes de decidir
Multiplica o teu excedente anual estimado (o simulador e depois a monitorização dão-te este número) pela diferença entre tarifas. Exemplo real: 1.500 kWh de excedente/ano vendidos a 0,05 € rendem 75 €; os mesmos 1.500 kWh consumidos da bateria em vez de comprados a 0,22 € valem 330 €. A bateria custa mais à cabeça — mas é esta diferença, ano após ano, que a paga. Se o teu excedente é pequeno, o contrato de venda simples é a resposta certa e sem investimento.