UPAC: tudo sobre autoconsumo em Portugal

UPAC, DGEG, comunicação prévia, autoconsumo coletivo: as regras do jogo explicadas sem juridiquês — e o que o instalador trata por ti.

Atualizado em 27 de agosto de 2026

Há uma sigla que aparece em todos os orçamentos e documentos do solar português: UPAC. Este guia explica o que é, que obrigações (poucas) traz, e porque é que a burocracia solar em Portugal é hoje muito mais simples do que a sua fama.

O que é uma UPAC

UPAC = Unidade de Produção para Autoconsumo. É a designação legal de qualquer sistema — os teus painéis, o inversor, a eventual bateria — que produz eletricidade primariamente para consumo no local. Distingue-se de uma central produtora “pura” (UPP) porque o objetivo é consumires o que produzes, sendo a injeção de excedente na rede um complemento e não o negócio.

Escalões de potência: o que precisas (e o que não precisas)

Potência da UPACFormalidadeNa prática
≤ 350 WNenhumaPainel plug-and-play de varanda: liga e usa
350 W – 30 kWComunicação prévia à DGEGO caso de quase todas as casas; o instalador submete no portal
30 kW – 1 MWRegisto + certificado de exploraçãoEmpresas; processo mais formal, também tratado pelo instalador
> 1 MWLicença de produção e de exploraçãoProjetos industriais/centrais

Dois detalhes úteis: a potência que conta é a de ligação (do inversor), não a soma dos painéis; e a comunicação prévia é feita no portal eletrónico da DGEG — um processo que os instaladores fazem semanalmente e incluem no serviço.

Contador, ligação e o papel da E-Redes

Com a UPAC comunicada, o operador de rede (E-Redes na quase totalidade do país) assegura que o teu contador inteligente mede nos dois sentidos — consumo e injeção. Não precisas de trocar de comercializador nem de contrato para autoconsumir; só a venda do excedente exige um acordo com um comprador (vê como funciona).

Autoconsumo coletivo e comunidades de energia

O regime português permite ir além da casa individual:

  • Autoconsumo coletivo (ACC): uma UPAC partilhada por vários consumidores próximos — o telhado do condomínio a alimentar as frações, com chaves de repartição acordadas entre os participantes e comunicadas à entidade competente.
  • Comunidades de energia renovável (CER): entidades — vizinhos, autarquias, empresas — que produzem e partilham energia entre membros, mesmo sem estarem no mesmo edifício.

São regimes com mais passos administrativos do que a UPAC individual (constituição, repartição, gestão), mas abriram o solar a quem não tem telhado. Se vives em apartamento, começa por perguntar ao condomínio — e pede um orçamento para o estudo do edifício.

As perguntas do costume, respondidas depressa

Preciso de mexer no contrato de eletricidade? Não, para autoconsumir. Pago alguma taxa por produzir? Nos escalões residenciais, sem encargos relevantes; regimes especiais aplicam-se a potências grandes. O condomínio pode impedir-me? Painéis na tua varanda/terraço privativo têm regras diferentes de intervenções em partes comuns — no telhado do prédio é preciso aprovação em assembleia. E se me mudar de casa? A UPAC fica com o imóvel; comunica-se a alteração de titularidade — mais um ponto a favor no valor de venda da casa.

Perguntas frequentes

O que significa UPAC?

Unidade de Produção para Autoconsumo — o nome legal do teu sistema solar: uma instalação que produz eletricidade primariamente para consumo próprio, podendo injetar o excedente na rede.

Preciso de licença para pôr painéis solares?

Depende da potência: até 350 W, nada; de 350 W a 30 kW (a esmagadora maioria das casas), apenas uma comunicação prévia à DGEG; de 30 kW a 1 MW, registo com certificado de exploração; acima disso, licença de produção. O instalador trata do processo nos escalões residenciais.

Quanto custa e quanto demora o registo?

A comunicação prévia tem custo administrativo baixo e o sistema pode ser ligado após a comunicação, nos termos legais. Num processo normal, é questão de dias — e está tipicamente incluída no orçamento chave-na-mão.

O que é o autoconsumo coletivo?

Um regime que permite partilhar a produção de uma UPAC por vários consumidores — frações de um condomínio, vizinhos, edifícios próximos — com repartição definida entre os participantes. É a via para apartamentos e condomínios entrarem no solar.

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