Bomba de calor ou caldeira a gás: as contas de 2026

A caldeira avariou ou o contrato do gás assusta? Fizemos as contas à substituição — investimento, custo anual e retorno — sem torcer para nenhum dos lados.

Publicado a 28 de agosto de 2026 · 3 min de leitura

Neste artigo

Poucas decisões domésticas geram tanta dúvida como o momento em que a caldeira dá o estoiro: substituir por outra igual, ou dar o salto para a bomba de calor? A resposta depende de três números — e de mais nada.

Os três números que decidem

1. Quanto pagas por kWh de calor. O gás natural custa tipicamente 8–12 cêntimos por kWh (mais taxas fixas de 5–15 €/mês); uma caldeira moderna converte-o em calor com 90–98% de eficiência. A bomba de calor usa eletricidade a ~20 cêntimos, mas multiplica-a por 3 a 4,5 (o COP): cada kWh de calor sai a 4,5–7 cêntimos. Vantagem clara da bomba de calor por kWh — e cresce se tiveres tarifa bi-horária ou painéis solares.

2. Quanto custa o equipamento. Caldeira nova: 1.500–3.000 € instalada. Bomba de calor ar-água equivalente: 6.000–15.000 €. É aqui que o gás ganha pontos — a diferença de investimento leva anos a recuperar só com a poupança de energia. Os apoios em vigor à substituição de equipamentos fósseis encurtam este intervalo, por vezes drasticamente (vê o guia de apoios).

3. Quanto calor consomes por ano. Uma casa no litoral que liga o aquecimento 2 meses por ano poupa pouco em valor absoluto — o retorno da bomba de calor estica. Uma casa na Guarda ou em Bragança com 5 meses de aquecimento recupera a diferença em 5–8 anos e depois poupa a sério todos os invernos.

A tabela honesta (casa média, aquecimento + águas quentes)

Caldeira a gás novaBomba de calor ar-água
Investimento1.500 € – 3.000 €6.000 € – 15.000 € (antes de apoios)
Custo anual típico de energia700 € – 1.200 €300 € – 550 €
Taxas fixas de gás60 € – 180 €/ano0 € (pode cancelar o contrato de gás)
Vida útil12 – 15 anos15 – 20 anos
Com painéis solaresSem sinergiaCusto anual pode cair para metade

Os casos em que o gás ainda se defende

Sejamos justos com a caldeira: se o teu consumo de aquecimento é baixo, o orçamento é curto e a instalação atual está boa, uma caldeira eficiente é uma escolha racional — sobretudo enquanto não houver aviso de apoio aberto. E em apartamentos sem espaço para unidade exterior, a discussão nem se coloca.

E os casos em que a bomba de calor é óbvia

Consumo de aquecimento médio ou alto; casa com (ou a planear) painéis solares — a dupla é imbatível, com o sol a pagar o aquecimento; vontade de cortar o contrato de gás e as suas taxas fixas; construção nova ou renovação profunda, onde o piso radiante a baixa temperatura maximiza o rendimento; e sempre que um apoio comparticipe a troca — aí a conta muda de década.

Conclusão prática

Por kWh de calor, a bomba de calor ganha sempre. O que decide é o investimento inicial contra o teu consumo real — e essa conta faz-se em dez minutos com dados concretos: preços atuais por tipo e um orçamento gratuito de um instalador certificado para a tua casa. Pede as duas propostas (gás e bomba de calor) e compara números, não opiniões — connosco, a segunda demora um minuto a pedir.

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